Macaquinhos da Avenida comem lixo
Meninos, eu vi: um macaquinho alimentando-se de lixo!
Marco Antônio Soares de Oliveira
Estava sábado (dia 16, por volta das 13 horas) tranquilamente sentado num dos bancos da Avenida Conde Ribeiro do Valle, em Guaxupé, quando reparei que um macaquinho descia da árvore vigilante e precavido, observando em volta as pessoas que circulavam por lá.
No outro banco, estava sentada uma pessoa desatenta aos movimentos do bicho. Pois então, ele alcançou o cesto do lixo, retirou uma casquinha de sorvete e rapidamente retornou à copa da árvore onde foi saborear o alimento. Pelas informações que tenho sobre os hábitos do saguís, a sua alimentação natural consiste de insetos, répteis, pequenos mamíferos, aves, lesmas, ovos, alguns vegetais, frutas e a goma das árvores.
Encontrar aquele macaquinho no centro da cidade para mim era algo insólito. Ainda mais remexendo em cestos de lixo. Não tinha no momento uma máquina fotográfica para registrar o fato. Aí notei o problema atual do desespero e fome dos bichos que deixam as matas e emigram para a cidade. Calculei que também era possível, que alguma pessoa desinformada e maldosa tenha trazido aquela espécie de macaquinho e soltado em plena Avenida.
Lembrei-me então do poema I-Juca-Pirama, parte 10, de Gonçalves Dias, poeta maranhense: “Um velho Timbira, coberto de glória,/Guardou na memória/ Do moço guerreiro, do velho Tupi/ E a noite, nas tabas, se alguém duvidava/ Do que ele contava,/ Dizia prudente: MENINOS, EU VI.”
Aquela cena me ficou gravada na mente diante das desinformações e descasos da sociedade e autoridades que não cuidam desses problemas fundamentais de respeito aos nossos irmãos de pêlo. Bicho passando fome na cidade tendo de retirar sua alimentação dos lixos, o que acontece também com os cães sem donos. A responsabilidade é nossa: do ser humano que não respeita o nosso planeta e desumaniza-se cada vez mais.
Recordei-me também do poema de Manuel Bandeira, O Bicho: “Vi ontem um bicho,/ Na imundície do pátio/ catando comida entre os detritos./ Quando achava alguma coisa,/ Não examinava nem cheirava: Engolia com voracidade./ O bicho não era um cão,/ Não era um gato, /Não era um rato./O Bicho, meu Deus, era um Homem.”
A situação do ser humano e dos animais aqui na terra carcomida pela corrupção, selvageria e principalmente pela fome está incrível. Acho que seria bom se Deus descesse de novo no planeta e restituísse a dignidade perdida do homem. Aposto como a coisa está indo, Ele seria crucificado novamente. Será que existe salvação ou esperança para o Homem moderno que destrói a natureza e a própria casa que habita aqui na terra?
Vamos, leitor, pensar nos nossos irmãos indefesos e clamar para as autoridades competentes para a defesa dos mais fracos habitantes da terra, que são os bichos de pêlo e pena! Vamos ver se aparece alguma solução no fundo do túnel!
Já que os problemas existem, passo mais algumas informações sobre os saguís colhidas no site: www.petfriends.com.br: Os saguís, como as formigas, vivem em grupos comandados por um casal e têm toda uma organização social. Vivem em média 10 anos na natureza. Aqui, comendo lixo e outras sujeiras, diminuem a qualidade de vida. A reprodução acontece quando o casal está isolado em um ambiente calmo, sem pessoas por perto. A gestação, em média, dura cinco meses. O número de filhotes varia de um a três. Duvido que na Avenida eles conseguem copular!
É o segundo menor primata existente na América do Sul. Chegam a medir 20 cm. O seu habitat natural são as florestas da América Central e do Sul, sendo que das 35 espécies existentes, 25 são brasileiras.
Gente, ainda é tempo de salvarmos os sagüis, se a sociedade brasileira e as autoridades tomarem as devidas providências. Vamos lá!
Marco Antônio Soares de Oliveira é jornalista, escritor e guaxupeano
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