Promotor denuncia a ‘farra das diárias’
Da reportagem da Folha do Povo
O promotor Thales Tácito Pontes Luz de Pádua Cerqueira encaminhou à Folha do Povo, na quinta-feira passada (25) um ofício solicitando a divulgação do que ele denominou de “farra com dinheiro público” e “farra das diárias”. Os termos são alusivos às viagens de alguns vereadores que supostamente foram participar de seminários e teriam abusado do direito de gastar dinheiro público com itens pessoais.
Thales Tácito inicia o texto remetido ao jornal elogiando o vereador Jorge Batista Bento “pelo zelo na confecção do relatório enviado a este Órgão de Execução, com relação à prestação de contas de diárias de viagens dos vereadores, dando efetividade à Recomendação 05/2009 do Ministério Público”.
Em seguida, o promotor diz ter constatado no relatório que “muitas das despesas realizadas pelos vereadores que fizeram viagens são abusivas”. Ele cita, primeiramente, o vereador Durvalino Gôngora de Jesus, o Nico, e enumera os gastos que este fez: ligações efetuadas no Royal Center Hotel, recargas de celulares particulares, extratos de crédito da Caixa Federal, Fixodent Fresh, totalizando R$ 225,85.
“Registre-se que tais despesas são particulares e não estão afetas à participação dos seminários, ou seja, não trazem qualquer vantagem à população de Guaxupé; pelo contrário, tratam-se de despesas individuais e privativas, constituindo verdadeira afronta aos princípios que norteiam a administração pública, notadamente da moralidade, a teor do art. 37 da CF/88, o que deve ser corrigido para evitar a ‘farra com o dinheiro público’ ou a ‘farra das diárias’” comentou o promotor.
Em seguida, Thales Tácito afirma ter ficado “impressionado com a quantidade de seminários de 2009 até a presente data, em hotéis caros e sem nenhuma comprovação de efetiva participação ou certificado ao final do evento”, que alguns vereadores participaram. E prossegue dizendo que Durvalino e Luiz Smargiassi Filho (Didinho) “são recorrentes a tais práticas, razão pela qual deve ser apresentados, por cada qual, os certificados de todos os eventos”.
O promotor menciona então, com base no relatório que recebera de Jorginho, os gastos que eles tiveram: “alimentação, transporte, passagens aéreas, táxi, hotel, frigobar, lanches, sorvetes, chicletes, chocolates, panetone, energéticos, Fixodent Fresh, restaurantes, pizzarias e outros itens foram gastos com dinheiro da população de Guaxupé, por força de tributos”.
No parágrafo seguinte do ofício, Thales diz também: “Igualmente, em relação ao vereador Mauri Palos, que viajou para Brasília de avião, para audiência com o Ministro dos Transportes, Exmo. Sr. Alfredo Nascimento, visando a implantação da obra na BR 146, sem qualquer comprovação de sua efetiva participação na aludida audiência e resultado concreto da mesma”.
Por fim, o promotor requisita de Jorginho que seja dada ciência ao vereador Durvalino, imediatamente, notificando-o a devolver aos cofres públicos os valores das despesas citadas (R$ 225,85), bem como os outros vereadores. E para “comprovarem com certificado suas presenças nos eventos mencionados no prazo de 15 dias, sob pena de ação civil pública por improbidade administrativa”.
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[...] No dia 25 de fevereiro, o presidente da Câmara Municipal, Jorge Batista Bento, recebeu um ofício enviado pelo promotor de justiça, Thales Tácito Cerqueira. Nele, o promotor cita fatos que ele considera irregulares, cometidos por três vereadores. Ele teria registrado ao proceder “detida análise” de relatório publicado pelo órgão, com divulgação pela internet, especificando despesas de viagens efetuadas pelos vereadores enquanto frequentadores de seminários, encontros, audiências e outros expedientes fora da cidade (leia reportagem ‘Promotor denuncia “farra das diárias”). [...]