Vereadores discordam do termo ‘farra’ usado por promotor
Da reportagem do Jornal da Região
No dia 25 de fevereiro, o presidente da Câmara Municipal, Jorge Batista Bento, recebeu um ofício enviado pelo promotor de justiça, Thales Tácito Cerqueira. Nele, o promotor cita fatos que ele considera irregulares, cometidos por três vereadores. Ele teria registrado ao proceder “detida análise” de relatório publicado pelo órgão, com divulgação pela internet, especificando despesas de viagens efetuadas pelos vereadores enquanto frequentadores de seminários, encontros, audiências e outros expedientes fora da cidade (leia reportagem ‘Promotor denuncia “farra das diárias”).
O promotor afirma então que muitas das despesas que constam do referido relatório são consideradas abusivas, principalmente quando arrolam gastos de Durvalino Gôngora, o Nico, Luiz Smargiassi, o Didinho, e ausência de comprovação de Mauri Palos em uma audiência em Brasília.
A reportagem do Jornal da Região procurou os três vereadores e Nico disse não entender a razão do próprio promotor nominar todo o episódio como “farra com o dinheiro público” ou “farra das diárias”. Ele então contesta, afirmando que “longe de ser uma farra, nossas viagens têm o objetivo de buscar subsídios em eventos que visam melhorar a nossa atuação no legislativo e, consequentemente, a atender com mais precisão e atualização as demandas dos munícipes”.
O vereador ainda afirma que não se trata de farra e nem de ‘comparecimentos recorrentes’, que “aqueles que se dispõem a viajar em nome da Câmara têm a exata noção da importância de tal representação e da austera responsabilidade que deva envolver qualquer versação do dinheiro público”.
Nico coloca que o vereador Didinho também sempre se dispõe a participar de cursos, reivindicações a autoridades maiores e outros compromissos que envolvam viagens e assim “temos como hábito repartir sempre um mesmo quarto de hotel, exatamente para evitar majorar as diárias”. Por outro lado, todas as despesas são postas em relatórios detalhados, que sempre estiveram à disposição de qualquer um que queira consultar na própria Câmara, e ainda emenda: “quanto aos telefonemas dados, considerava até agora que estando a serviço da Câmara, telefonemas estivessem liberados. Como não estão, só me resta acatar a decisão”.
Devoluções
Considerando como despesa estranha um produto de higiene bucal, Nico foi oficiado pelo presidente e controlador da Câmara a devolver o seu valor aos cofres e encaminhou, no dia 26, ofício ao promotor acusando o depósito de R$ 37,90 na conta bancária da Câmara em termos de ressarcimento da dívida. Assim, em outro ofício do promotor do último dia 1°, ele acusa o procedimento da devolução e se diz no aguardo à remessa dos comprovantes dos eventos e da quantia de R$ 187,95 restantes, já que a dívida de Nico foi orçada em R$ 225,85.
A reportagem do Jornal da Região esteve também com Didinho, igualmente citado no ofício, porém sem especificações de gastos, e ele, em primeiro lugar, deixa claro que se o promotor vê irregularidades no relatório, “eu devo respeitar sua opinião, uma vez que ele é um dos guardiões do patrimônio público, porém não considero a questão como uma “farra”.
Para o vereador, as viagens são antes de tudo trabalho e “são elas que nos oportunizam a concretização de várias aquisições para o bem da cidade e seu povo. Foi com elas que conseguimos manter contatos diretos, que trouxeram para o município novos maquinários. Foi através delas que entramos em contato direto com Reminho, por exemplo, que agilizou as obras da rotatória em frente à antiga Fábrica de Doces, tanto tempo alvo das reivindicações dos usuários para sanar as deficiências de um cruzamento de vias tão perigoso no centro da cidade”.
Didinho ainda lembra que foi graças às viagens a Belo Horizonte que “consegui verbas para a saúde, que estarão resolvendo o problema das cirurgias eletivas, que permanecem há muito tempo com uma fila de espera que ultrapassa 280 pacientes”. Didinho declara ainda que “estou sofrendo uma franca e aberta perseguição política e tenho denunciado isto sistematicamente; acredito que este episódio faça parte dela. Quanto aos ressarcimentos que o promotor considera cabíveis, vou fazê-los todos, mas afirmo que o que faço é trabalho e não farra”.
Quanto ao terceiro citado, o vereador Mauri Palos, ao qual o promotor sugere comprovações de sua efetiva participação em audiência com o ministro dos Transportes, Alfredo Nascimento, em Brasília, ele responde que “já pedi os comprovantes de presença na referida audiência, que considerei bastante proveitosa, e mais: com respostas concretas, tanto que a autorização de início da licitação do ministro foi feita nela e estavam presentes prefeitos e vereadores de três outras cidades, mais os deputados Odair Cunha e Carlos Melles”.
Mauri afirma ainda que a audiência foi divulgada, com fotos nos jornais, e que ele compareceu a ela com imenso prazer, pois considera a BR 146 bastante importante não só no contexto regional como uma rodovia de integração, que estará ligando o sudoeste de Minas ao Triângulo, seguindo até o Nordeste do país. Terminando, o vereador diz: “a importância para Guaxupé da concretização do início das obras do trecho que nos liga a São Pedro da União, no que tange às questões sociais e econômicas, me deixam bastante envaidecido de ter participado de tão perto do processo”.
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