Facebook GxpTwitter GxpFeeds GxpGuaxupé, 07 de Fevereiro de 2012

Promotor Thales Tácito ‘abre o jogo’

024.jpg
Promotor Thales Tácito Pontes Luz de Pádua Cerqueira


Especial do Correio Sudoeste


Ele resolveu “quebrar o silêncio”. Conhecido como avesso às entrevistas, o pro­motor de justiça e promotor eleitoral Thales Tácito Pon­tes Luz de Pádua Cerqueira mostra suas convicções, comenta política local, esta­dual e nacional sem ofender pessoas, criticando apenas o ato – “o pecado e não o pe­cador”, como diz, e ainda de­sabafa: “deixemos que o elei­tor de Guaxupé, nas próximas eleições, dê o seu recado no sentido de quem está no ca­minho certo”. Solicitando que o eleitor acompanhe e fisca­lize a política local, estadual e nacional, termina dizendo: “Capa da Bíblia neles!”


Qual o motivo do sr. não falar com a imprensa?

Excelente pergunta. Em primeiro lugar, eu sempre falo com a imprensa. Vocês deste jornal, bem como a Folha do Povo e Jornal da Região, es­tão cadastrados em meu mailing e recebem, por escrito, in­formações públicas de ações realizadas, bem como auxí­lio no tocante à fiscalização etc. O que não faço é me pro­mover na imprensa às cus­tas de seres humanos. Não dou e nunca darei entrevis­tas na imprensa para servir de “trampolim” para interesses de ibope ou vendagem de jornais. Não irei afrontar minha crença para satisfazer

o ego de leitores que gostam de escândalos e brigas pes­soais. Jamais ofendi o prefei­to ou a pessoa de vereado­res ou juizes ou advogados. Tenho por todos um imenso respeito, como sinto respeita­do por esta mesma comuni­dade. E não é só. Um agente do Estado para ser respeita­do, deve dar o exemplo, vale dizer, deve respeitar os seme­lhantes e ter uma vida regra­da. Que imagem eu teria das pessoas que lido se não as respeitasse como seres hu­manos? Portanto, falar com a imprensa é algo sadio, mas ofender os semelhantes é do­entio e evito tais intromissões. Por isto, sempre que perce­bo que algo possa ofender a imagem, encaminho para a Assessoria de Comunicação Social do MP, em BH, onde eles fornecem para a imprensa versão própria e eficaz, evitando qualquer tipo de problema. É um órgão maravilhoso que temos em BH, para assuntos que envolvem dignidade da pessoa ou problemas de ín­dole político/improbidade.


O sr. é católico, por influência materna, seu pai é espírita. É admirado por evangélicos, diante de tan­tos pedidos de palestras. Diante desse quadro, onde o sr.  penetra em praticamente todas as religiões, como vê a discussão que envolve o vereador Ari, no sentido deste poder ou não ler tre­cho bíblico?

Esse assunto é muito im­portante. A nossa Constitui­ção é laica, vale dizer, per­mite a liberdade de todas as crenças. Mas por detrás disto, o que se esconde nas men­tes hipócritas é a intolerân­cia. Qual o motivo do meu sucesso entre católicos, espí­ritas, evangélicos, judeus etc., como você afirmou? Simples­mente uma palavra – tolerân­cia. Tolero todos aqueles que têm credo distinto do meu e com o passar dos tempos passei da tolerância ao amor. Amo verdadeiramente meus irmãos evangélicos, espíritas e de outras religiões que sem­pre me ajudaram muito mais em obras do que os católi­cos da qual pertenço. Quan­do fui Promotor da Infância e Juventude (Patos de Minas, Cláudio, Divinópolis e Poços de Caldas) recebi muito mais apoio dos amigos de outros templos do que por vezes dos meus próprios pares. E sabe por  quê? Porque descobri com os anos que o realmente importante são as “obras”. Antigamente achava que a frase “dize-me com quem andas e dir-te-ei quem és” era uma frase perfeita.  Depois, com as experiências da vida como Promotor, cheguei a compreender que o importante não são os discursos, mas as obras e a frase perfeita pas­sou a ser: “dize-me o que fa­zes e dir-te-ei com quem an­das”. Não foi à toa que Jesus disse em claro e bom tom: “A cada um, por suas obras”.

Desde o tempo de Cristo já era antiga a hipocrisia fari­saica. Declarando-se homens de fé e buscando a hegemonia nos círculos religiosos e sociais, os fariseus eram conhecidos por exibirem insuportável orgulho e repugnante vaidade. Assim, pervertidos pelo  intelectualismo  de  superfície, colocavam acima de tudo o rigorismo aparente. Sabiam caluniar os adversários e bajular os poderosos. Exi­giam os primeiros lugares nas sinagogas e destaque nas as­sembleias mais simples. Pas­sagens bíblicas mostram a crueldade dos fariseus, ques­tionando a Jesus se devia ou não pagar tributos a César; buscando na fraqueza de Ju­das a traição do Messias, en­ganando-o com falsas pro­messas; e nem respeitando a hora angustiada e terrível da morte de Jesus, chegaram a cuspir-lhe o rosto e questioná-lo: – “Se tu és Rei dos Judeus, salva-te a ti mesmo e desce da cruz”.

Nem mesmo vendo uma vítima necessitando de socorro, o fariseu ou o sacerdote foram humanos em socorrer-lhe, cabendo ao bom samaritano.

E porque alonguei na res­posta: ora, dizer que a Cons­tituição é laica para impedir que um vereador leia a Bíblia é uma forma muito bonita de esconder a INTOLERÂNCIA religiosa. Para respeitar a sua religião é necessário TOLE­RAR a religião alheia. Como católico tenho em meu Ga­binete uma imagem de Nos­sa Senhora Aparecida e nin­guém pediu para tirá-la dali. Respeito os símbolos de to­dos, desde o evangélico (a bí­blia sempre as mãos – acho lindo isso), espírita, judeu, muçulmano etc. E ao respei­tá-los, eles me respeitam.

Da mesma forma que fa­zem com o vereador Ari, na Itália se proíbe o uso de imagens católicas – crucifixos nas escolas. No Brasil alguns tri­bunais determinam a retirada de Jesus detrás de salas de audiências ou crucifixos. Se isto for virar prática comum, será um passo para discri­minar símbolos de evangéli­cos, de judeus, de mulheres, de negros, enfim, ao disfarçar nos símbolos, o preconceito é realmente contra a própria pessoa.

Portanto, impedir um ve­reador de ler trechos da Bí­blia, como retirar símbolos de religiões, para mim é prá­tica de intolerância disfarçada de outro nome (eufemismo). Ademais, que mal faria uma leitura dessas? Ora, quem não quiser ouvir, tampe os ouvidos (além do coração) ou se for transmitida pela TV, desligue o aparelho. É preciso praticar tolerância com os credos alheios, para que respeitem a sua própria crença, pois de­pois da prática constante da tolerância chegaremos em seguida no amor fraterno, en­xergando nossos semelhan­tes de outras religiões não como nossos inimigos, mas como Jesus. Quem quiser en­contrar Jesus é só olhar para os outros com olhos de Jesus. É fácil encontrá-lo!


O sr. entende que o problema de Guaxupé é partidário, leia-se, como se comenta nas ruas, culpa do PT ter vencido as eleições municipais? A polêmica do Carnaval reside neste co­mentário?

De forma alguma. O PT é apenas um partido, leia-se, pessoa jurídica de direito pri­vado, do qual membros compõem seus quadros. Quem se torna responsável é o ho­mem ou mulher por detrás do partido, ou seja, o gestor, no tocante ao gerenciamento e prioridade. Exemplo: entendo que o Carnaval é importante para o turismo. Mas não acei­to que 500.000 possam ser gastos neste evento, quando muitas outras PRIORIDADES são visíveis, como saúde, por exemplo. Muito bem redigi­da foi a fala do professor Waldir, do PT, no Correio Sudoes­te de 06 de março de 2010, onde bem coloca a questão da prioridade no universo da administração pública gerencial. Quanto ao Carnaval, já que muitos comentam, minha função é apenas técnica e não filosófica, ou seja, em que pese meus pensamentos so­bre prioridade, minha função reside em analisar se houve ou não prejuízo aos cofres pú­blicos no tocante a não espe­cificação de licitações, uma vez que serviços globalizados provocam a “terceirização do serviço”, deixando mais caro, portanto, do que licitar servi­ços afins. Ademais, tenho que apurar quem foi o responsá­vel por esta licitação, se a Co­missão processante ou quem  proveu recurso do vencedor, porque procuro sempre ana­lisar quem realmente praticou o ato ao invés de generalizar a acusação. Enfim, é uma ta­refa meticulosa e técnica, que pretendo contar com auxílio do Tribunal de Contas do Es­tado.

Agora, dizer que parti­do é culpado por má gestões de seus membros é surreal, mesmo porque vários parti­dos foram pegos com escân­dalos de financiamento nos últimos anos, por exemplo. Temos que reconhecer que os políticos não são nossos ver­dugos, temos ótimos quadros de políticos no PT, bem como no PSBD, DEM, PPS, PSOL, PMDB etc. Um exemplo claro de dinheiro público bem aplicado é para os pobres e ne­cessitados de todas as sortes, pois quando o Presidente da República Lula voltou gran­de parte de sua política para as tormentosas questões so­ciais, a economia respondeu e chamou atenção de outros Países no mundo. Por isto sempre aprendi que “quem dá aos pobres, empresta a Deus”. Da mesma forma, par­tidos menores despontam com jovens promissores, tra­zendo o “arroubo da juven­tude” e o “idealismo cristão”. Mas o que se precisa ter em mente são obras, priorida­de e gerenciamento. Acabar de vez com o financiamento privado, responsável por cor­rupções imensas no País e buscar a democracia partici­pativa. Sem isso iremos “en­xugar gelo” e ficar procuran­do “bodes expiatórios”, como se apenas um ou alguns fos­sem realmente os algozes da nação.

O sr. acredita que Guaxupé pode recuperar o tempo perdido e aproveitar a boa fase da economia?

Claro que sim. Sou um otimista nato, porque quem tem fé em Deus não se entrega e não tem medo. O que é a fé senão o fundamento da espe­rança. A fé é prospectiva, nos projeta. Acredito que os políticos locais irão sair da “ceguei­ra da discórdia” (Mateus 20, 29-34) e encontrarem a tole­rância das ideias. Percebendo como estava o clima tenso en­tre poderes, após grande ora­ção e reflexão, solicitei uma audiência pública no dia 26 de fevereiro de 2010 no Fórum, para o Diretor do Foro, Exmo. Dr. João Batista, que pronta­mente cedeu o espaço como participou preocupado com a cidade. Executivo, Legislativo, Bispo, Presidente do Colégio de Evangélicos, COOXUPÉ, Delegado Regional e vários segmentos sociais participa­ram. E sentimos a vontade de todos de cooperar e mudar o rumo de Guaxupé para o di­álogo. O Executivo se pronti­ficou de imediato de trazer a Guarda Municipal, a Guarda Mirim, regulamentar por de­cretos questões como Con­selho Municipal da Mulher e apresentar ao Legislativo projeto sobre autarquia de água e esgoto (para aprovação ou re­jeição). O Legislativo, por seu Presidente, se comprometeu a agilizar o projeto de lei que cria acessibilidade aos por­tadores de necessidades es­peciais, a editar nova lei de queimada de cana. Políticos se comprometeram a auxiliar o Delegado Regional a bus­car viaturas, material humano e estrutura predial para nova Delegacia. As drogas serão combatidas com auxílio de to­dos os poderes, seja com in­vestimento do Executivo, seja com entidades particulares como Servos Bom Pastor. A saúde será totalmente reavaliada pelo Executivo, incluindo a instalação de ponto eletrônico. E o transporte público será licitado peio Executivo com fi­xação no edital de preço ini­cial de R$ 1,10 de passagem (economia de 13 reais por mês e R$ 156,00 por ano aos passageiros, já que reduz de 1,75 atuais para 1,10). Reuni­remos em junho de 2010 para avaliar o que evoluiu neste ín­terim. Ora, como não ser otimista com tantas pessoas buscando fazer sua parte?


O que o sr. acha da Expoagro?

Em termos turísticos é a festa que mais gera renda na cidade. Bares chegam a re­ceber até 20.000 reais para colocar propagandas de cervejas. Hotéis ficam cheios. Restaurantes idem. A economia circula em geral, seja no comércio ou mesmo no agronegócio. A criminalida­de é baixa considerando a estrutura de segurança e a potência do evento. E é jus­tamente nesta festa popular que algo novo pode ser cria­do. Por exemplo, o “dia da fa­mília”, ou seja, uma forma de dentro da festa trazer pesso­as que não gostam de shows escolhidos e sim de shows religiosos, palestras educati­vas, arrecadações para en­tidades locais etc. O eficien­te gestor desta festa, Exmo. Dr. Mário Guilherme Perocco Ribeiro do Vale, conhecido Maé, por exemplo, arrecada fundos para a pobreza local e reverte a festa, também, aos necessitados, a exemplo dos fundos, também, para o Hospital do Câncer de Barretos, além de doações lo­cais. Cumprimento Maé e o Dr. Carlos Paulino, também, “‘pela ideia de trazer o aero­porto para Guaxupé, quan­do do encontro do Vice-Governador, além de Maé trazer benefícios à Santa Casa. Assim, existem, além da Expoagro, pessoas que são com­prometidas em auxiliar os necessitados e todas elas são bem vindas. O que não se pode é entrar num círcu­lo vicioso de inveja de quem pratica obras, pois o círcu­lo virtuoso reside em somar missionários. Quanto mais pessoas ajudando, mais be­nefícios. Quanto mais invejo­sos, mais desperdício.


Nas próximas edições do Correio Sudoeste, o promotor Thales continuará respondendo outras perguntas elaboradas pelo jornal.


Tags: , , , , ,