A prefeitura precisa falar mais e ouvir mais
A política é a arte de desagradar o menor número de pessoas possível. Com a nova dança das cadeiras na Prefeitura de Guaxupé, o que se espera é que Inaudi Carnevalli e Luiz Henrique Marques consigam estruturar o diálogo com todos os setores da sociedade, o que alguns chamam de fazer política. A falta de comunicação no governo contribui para amplificar as críticas do povo que, por falta de pronunciamentos oficiais sólidos, só ouve o lado da oposição.
Comunicar com o povo não é fazer propaganda do governo. É mostrar o outro lado para coibir boatos e injustiças. É evitar que fofocas se espalhem pela cidade sem que a turma reflita sobre os absurdos que às vezes falam (por exemplo, “o prefeito foi afastado porque não construiu pontos de ônibus”). É claro que uma resposta ao povo não substitui a necessidade de ação. É preciso, por exemplo, tampar os buracos, mas também é necessário explicar porque isso ainda não foi feito. E mostrar porque o nosso asfalto, que foi construído em outras gestões, dá tantos buracos. Comunicação de mão-dupla. Ouve-se e fala-se.
Daí a urgente necessidade de uma ouvidoria, sem congestionamento no telefone, para catalogar as críticas do contribuinte e estabelecer um critério de resposta a todas elas. Dia desses, uma moradora do Parque do Lago reclamava que “o prefeito só passou aqui em época de eleição”. Uma resposta efetiva através de uma ouvidoria organizada já derrubaria o muro entre governo e eleitor. Valoriza o indivíduo e estimula o espírito cidadão.
E internamente também falta prosa. O diálogo com servidores públicos deve ser reforçado. Um sistema de comunicação dentro da prefeitura precisa ser criado para repassar informações para os cerca de mil servidores antes que eles recebam a notícia por terceiros, por meio de boatos, ou até mesmo pela imprensa. Isso é promover a gestão participativa, é compartilhar com o funcionalismo a mentalidade de que eles são os responsáveis pelo andamento da cidade e que devem saber de tudo primeiro.
Também falta comunicação com a imprensa. Os releases da divisão de comunicação são sempre bem-vindos, mas muitas vezes chegam tarde – Guaxupé tem veículos com atualização 24 horas e não apenas semanários. Em outros casos não são nem respondidos. Além disso, o governo municipal respeita tanto a liberdade de imprensa que muitas críticas infundadas são veiculadas na mídia local sem que haja a menor contestação da administração. A publicação de informações distorcidas pela falta de apuração fica ruim pro governo e para a cidade. Comentários verdadeiros devem ser ouvidos e convertidos em ação. Ataques infundados devem ser respondidos imediatamente. Isso fortalece inclusive a imprensa, que passa a ter um compromisso maior com a verdade.
Por fim, é preciso reforçar o contato com os agentes políticos do município. E isso não significa apenas vereadores. São também líderes de entidades, formadores de opinião ou qualquer pessoa que apresenta propostas de parceria com o governo. É comum ouvirmos por aí que “a prefeitura nem resposta deu”. Se não dá pra fazer o que foi solicitado, que deixe claro que não dá. A falta de resposta aumenta a ansiedade, trava os planos do sujeito que fica na expectativa. E a decepção de um NÃO tardio é sempre maior do que uma resposta negativa imediata.
Inaudi Carnevalli, o novo secretário de planejamento e governo (antiga cadeira de chefe de gabinete), já foi vereador por três mandatos e domina a arte da política. Luiz Henrique, agora na administração, é jovem de confiança do prefeito e conhece muito bem as falhas da atual administração. Se a dupla conseguir converter as críticas em soluções e sempre der satisfação ao povo, já valeu a mudança. Derrubem o muro que separa o povo do governo. Alguns querem ser ouvidos, outros querem respostas.
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