A primeira manchete do Gxp
No dia 1º de julho de 2009, o Gxp foi ao ar pela primeira vez. No momento, a equipe tinha em mãos várias matérias para colocar como destaque na manchete principal, mas tinha que ser muito especial, pois seria a primeira. Uma delas era “Os 50 anos de sacerdócio do padre Olavo”, que foi escolhida por unanimidade pela equipe. Claro que a matéria merecia o destaque por si só, mas todos também a escolheram como forma de uma bênção, pra que o portal estreiasse protegido. E assim nasceu o Gxp, sentindo-se abençoado virtualmente pelo padre Olavo.
Mas o que ninguém esperava era o que o acaso nos reservava. As fotos da reportagem sobre o padre Olavo foram cedidas pelo Eloadir, do Correio Sudoeste, e, junto com as fotos, ele enviou um texto em homenagem ao padre, que o Gxp publicou junto com a reportagem. Sem se dar conta, Eloadir foi o responsável pela matéria de estreia do portal e o sentimos hoje como nosso padrinho espiritual, para trilharmos sempre o caminho da humildade, perseverança e fé que sempre regeram a sua vida e nortearam o seu jornal por quase 40 anos. Obrigado, Leo!
Veja na íntegra a homenagem de Eloadir ao padre Olavo.
Não me lembro bem, mas foi no começo da década de 60 que o conheci e comecei a ouvir tanta coisa sobre ele que ficou gravada em mim a imagem de um padre que tem o dom de servir as pessoas, sem pedir nada em troca.
Cristo nos dá este exemplo quando lava os pés dos apóstolos, ensinando a humildade, o amor, a servir uns aos outros sem nenhum interesse de recompensa. Esta é a mais pura manifestação de amor e caridade.
Padre Olavo, na sua simplicidade, é o retrato do desprendimento cristão, voltado principalmente aos mais necessitados. Quando, há muitos anos, chegou-me ao conhecimento que ele estava em cima de uma casa, no bairro Santa Cruz, ajudando a trocar o telhado da residência de uma família humilde que não tinha recursos para pagar pelos serviços, achei que ia fazer uma matéria de impacto para publicar na primeira página, e já ensaiava uma manchete.
Levaram-me até o local para tirar uma foto. Ficamos de longe, mas pude ver que outras pessoas o auxiliavam na tarefa, e difícil era saber quem era o padre. A foto não prestou porque não dava para saber quem era quem, já que fiquei inibido de chegar perto, perguntar qual deles era o padre e tirar uma foto individual para publicar no jornal.
Achei que isso ia tolher a sua liberdade e ele certamente não gostaria da ideia. Ao sentir de perto o drama, percebi que desmoronou todo o meu plano. Era tão profundo o que senti naquela hora que acho que, por um momento, pareceu-me sentir inveja dele, deste dom precioso que Deus lhe deu, de servir ao próximo, com tanta dedicação e carinho.
Padre Olavo não sabe o quanto aprendemos com ele. Sua postura evangeliza. Está aí o segredo da única riqueza que levamos desta vida e a maior felicidade do mundo, que é fazer alguma coisa (pelo menos o mínimo), para quem precisa.
Hoje eu digo com segurança: Padre Olavo é rico. Ele tem um patrimônio imenso de paz, amor, serenidade, sabedoria e um galardão enorme esperando por ele no céu, preciosidades que muita gente gostaria de ter.
Quando ele começou a escrever uma coluna semanal no jornal, passei a avaliar o seu prestígio e popularidade pelo número de leitores que comentavam seus artigos. Em fevereiro de 2003, quando sofri um infarto e num momento pareceu aos médicos que eu estava dormindo, ouvi dois deles comentando que corria sério risco de vida.
Mal saí da UTI nos próximos dias e voltei a ter acesso ao meu telefone celular; a minha primeira ligação foi para o Padre Olavo solicitando-lhe a sua visita para uma confissão e a unção dos enfermos. Ele riu, pensando que eu estava brincando.
Pouco mais tarde ele apareceu ali, no meu quarto hospitalar, para os procedimentos religiosos. Conversamos bastante e eu não queria deixá-lo mais ir embora por causa do seu carisma, do conforto que minha alma sentia. Confesso que, depois daquela visita a minha cura foi rápida e prodigiosa.
Certa vez surgiu boato que ele ia se candidatar a prefeito. Lá fui eu lhe fazer uma entrevista sobre o seu plano de governo, mas deu tudo errado. “Que candidato nada, disse ele, minha política é esta que tenho feito e vocês já conhecem, não sei fazer outra coisa…”
Que contraste ele vive com este mundo tão materialista, onde impera muitas vezes o poder, o individualismo, a vaidade, os vícios, a violência e os bens materiais.
Parabéns, Padre Olavo, pelos seus 50 anos de ordenação sacerdotal, cheios de carinho, amor, dedicação, exemplos que nos tocam e falam mais do que as palavras podem exprimir.
Eloadir de Almeida Vieira.
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