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Vereadores não decidem sobre autarquia da água
11 de agosto de 2010 @ 18:53 em Política
O prefeito Roberto Luciano enviou à câmara municipal na última sessão, de segunda-feira (8), o projeto de lei que cria o DMAE Águas de Guaxupé, autarquia de água e esgoto, entidade de direito público. A aprovação do projeto significaria a não-renovação do contrato com a Copasa, empresa que cuida da água da cidade há 30 anos.
Como é sabido, o contrato da prefeitura com a Copasa está vencido desde 2008, na gestão de Abrãozinho, e desde então o serviço da empresa vem sendo garantido por intermédio da renovação de TAC – Termo de Ajuste de Conduta. E é esta instabilidade de permanecer ou não a justificativa da Copasa de não investir pesado no município durante estes anos. Ainda mais que a administração atual sempre se declarou muito inclinada a criar a autarquia da água.
Embora os vereadores tenham tido bastante tempo para se inteirar sobre o assunto, o presidente da câmara, Jorge Batista Bento, colocou o projeto apenas em primeira discussão, que foi longa, profunda, e como a maioria dos vereadores não se sentiu nada embasada para votar com segurança, o líder do governo, Durvalino Gôngora de Jesus, o Nico, retirou o projeto da ordem do dia e não houve nem primeira votação. Ficou para a próxima sessão ordinária.
No início da sessão, Nico já havia sugerido uma audiência pública, quer saber a opinião do povo, consultar se a população apoia a permanência dos serviços da Copasa, ou topa arriscar uma autarquia. Como se o povo tivesse obrigação de entender detalhes que nem eles entendiam, vários vereadores endoçaram a sugestão de Nico. Pica-Pau foi um deles; quer o aval da população para poder votar tranquilo: “A voz do povo é a voz de Deus”, disse. Levi Valderramos também concorda, mas reconhece que a população tem que tomar conhecimento de todos os detalhes. Já Tânia Rolin, como era esperado, é contra a autarquia. No entanto, também se mostrou furiosa com a Copasa, “que não pode chegar aqui na nossa cidade e fazer o que bem entender”. Na linha de Tânia, Ari Cardoso foi taxativo: “De jeito nenhum que eu voto a favor de criar a autarquia. O Roberto Luciano não dá conta nem de tapar os buracos das ruas, quer tomar conta da água da cidade? Deixa a Copasa mesmo, o tratamento da água é muito bom. Eu tomo a água da Copasa”.
Levantando a bandeira e vestindo a camisa em favor da criação da autarquia estavam Mauri Palos – que, com propriedade, mostrou conhecimento sobre a matéria – e o reconhecidamente defensor-mor das causas da natureza e principalmente da água, Sérgio Faria. Entre tantos argumentos em desfavor da Copasa, que se tornou seu desafeto, Sérgio desabafou: “A autarquia da água tem que ser feita em Guaxupé, independentemente se o prefeito seja A, B, H ou Z. A Copasa sempre deu as costas para os nossos mananciais; durante todo esse tempo, nunca cuidou deles. É uma empresa que só pensa em obter lucro, e nós pagamos. Afirmo que 50% de seu patrimônio está aplicado na Bolsa de Valores. Quem se beneficia das ações da Copasa, nosso povo? Pelos meus cálculos, se o contrato for renovado com a empresa, cerca de R$ 300 milhões irão embora da cidade nos próximos trinta anos de contrato”.
E o presidente da casa, Jorginho, que assim como Mauri e Sérgio também é a favor da consulta pública, manifestou sua opinião: “Eu não me conformo da Copasa nem iniciar conversa se a validade do contrato não for de 30 anos. Por que não um contrato de 10 anos, por exemplo?” E deixou à população uma questão que rezará no contrato, se se firmar: “Quem quer pagar uma média de 60% a mais na conta de água durante os próximos 30 anos, para bancar o tratamento do esgoto?”
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